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Pensar em “legado” pode ser uma tarefa árdua. 

 

A palavra tem origem no latim “legatum”, que se referia aos bens deixados em testamento. Ou seja, é uma doação. Eu faço alguma coisa e a deixo para os outros. 

 

Quando penso em trabalho, a palavra legado é uma das que me vêm logo à cabeça. O trabalho que eu faço é um dos bens mais preciosos que eu tenho e, por isso mesmo, sinto especial afeto, orgulho e, de certa forma, apego a ele. Para mim, meu trabalho tem muito significado. Eu o considero bom em vários aspectos e, quando entendo que posso fazer melhor, vou atrás de aprendizados das mais variadas formas. 

 

Mas será que estou criando um legado? Daqui a 10 anos as pessoas vão se lembrar do trabalho que estou fazendo hoje? Acredito que a resposta está no conceito de UTILIDADE. Se o trabalho for útil para alguém (e esse alguém começa em mim), a resposta é sim. E, ao lembrarem, tomam para si o legado que deixei.

 

Às vezes, pensamos em legado como algo que só pode ser deixado por grandes mentes ou pessoas em altos cargos. Eu conheci estagiário que fez uma diferença muito positiva na equipe onde trabalhava e presidente do qual nem me lembro o nome. Um deixou legado, outro não (para mim). Porque um legado pode ser deixado por qualquer pessoa, mas a expectativa aumenta quando você tem um papel de maior abrangência na sociedade. Não espero, a princípio, que um estagiário mude o clima da organização (até porque, nesta fase de carreira, ele não tem autonomia para tanto). Mas anseio que o presidente crie uma visão tão clara e apaixonante de onde queremos chegar, que no minuto seguinte a empresa inteira se sinta engajada a tentar adaptar seu comportamento.

 

Legado pode também ser bom ou ruim e depende da visão de cada um. Os legados negativos são lembrados por aquilo que não queremos ser ou fazer, erros valiosos (por mais paradoxal que essa expressão possa parecer) que podem virar aprendizado para muitos. E continuam a ser úteis, já que podemos ver utilidade nos maus exemplos.

 

E aí chegamos a um ponto importante, e é por isso que eu considero uma tarefa árdua pensar no assunto: eu não sei se o trabalho que faço será realmente lembrado daqui a 10 anos. Mas se eu colocar bastante atenção aos que usam o meu trabalho, posso identificar se ele está realmente sendo útil. Se muita gente não nota ou não se importa com o que faço, pode ser um sinal de pouca utilidade. O trabalho talvez possa ser repensado, melhorado, modificado. Ou pode ser simplesmente que eu não o esteja promovendo de forma adequada, o que é importante no mundo em que vivemos. Não estou falando em agradar aos outros, estou falando em ser visto, para que a utilidade seja percebida.

 

E, no final da jornada (de cada dia, ou de uma vida inteira), o mais importante é fazer-se a pergunta de “um milhão de dólares”: eu me senti útil? O maior legado de todos deve ser olhar pra trás e se sentir em paz e satisfeito com o que fez.

 

Stela Klein

 

 

 

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